Por F.Gimenes
Há algum tempo venho pesquisando ações de marketing utilizadas pelas indústrias de Tabaco. Por quê? É bem simples. Ora, se eles conseguem vender cigarro, conseguem vender qualquer outra coisa. Complementando este fato, está a idéia alternativa de analisar este ramo publicitário – uma vez que por todos os cantos ouve-se apenas gritos histéricos contra o “caretinha”, nenhuma análise mais fria da questão.
Pois bem, a partir dessa idéia pus-me a vasculhar a rede em busca de anúncios e ações promocionais deste ramo um tanto quanto peculiar, contudo a esmagadora maioria dos resultados obtidos com a pesquisa giravam em torno apenas das limitações publicitárias sofridas por essas indústrias, raramente conseguia bons exemplos de campanhas ou ações. Felizmente a web é um território muito extenso que me permitiu trazer até aqui dois bons exemplos da publicidade destinada a vender cigarros. Neste post segue o primeiro “case” que ilustra a publicidade tabagista.
Para entender como funciona a publicidade dos cigarros é preciso, em primeiro lugar, saber o quão restrita ela é. Hoje toda a criação tabagista resume-se quase que exclusivamente aos pontos de venda e merchandising.
A primeira campanha a ser analisada é da marca Carlton, quem assina os trabalhos da marca desde 1972 é a agência DPZ. No último ano a agência desenvolveu uma campanha nas embalagens do produto onde estavam impressas ilustrações do artista plástico francês Francesc Petit. Ao todo foram impressas cinco ilustrações que faziam uma releitura de obras do surrealismo, pop-art, arte moderna e outros movimentos importantes na história da arte. Em todos os desenhos estavam impressos um maço de Carlton sob uma nova perspectiva.
A ação agregou a imagem dos cigarros um ar Cult, fazendo alusão às “eras de ouro” vividas pelo cigarro no passado – onde o mesmo estava em todos lugares, cinema, tv, fotografia, entre outras áreas.
Curiosidade
Os desenhos impressos nesta campanha fora confeccionados originalmente na década de 80. Na ocasião os mesmos não foram aprovados pelos diretores da Souza Cruz e, desde então, permaneceram em stand by, registrados em um caderno simples.
A marca Carlton, fabricada pelas Indústrias Souza Cruz, faturou R$ 346,9 milhões nos primeiros seis meses do ano de veículação da campanha. A companhia atualmente detém a liderança do mercado neste ramo.
Amanhã será publicada a segunda parte deste post especial sobre o cigarro. Aguardem.
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será que você consegue esses desenhos maiores??
Interessante o tema proposto e o exemplo mencionado – a campanha com as ilustrações do Petit. Por outro lado, propondo aqui uma outra visão sobre o assunto, será que essas ‘campanhas’ fazem mesmo tanta diferença nos números? No Brasil, por exemplo, a propaganda de cigarros foi completamente extinta e, ainda por cima, o Ministério da Saúde obriga as indústrias a veicular nas embalagens do produto aquelas imagens assustadoras, que deveriam desencorajar os fumantes a continuar e os não-fumantes a começarem a fumar. Basta ser um pouco observador para perceber que os efeitos desejados não foram alcançados. Isso porque, antes de ser um ‘produto’ o cigarro é uma droga. Uma droga lícita que pode ser encontrada em cada esquina, e que traz satisfação e vicio ao usuário desde a primeira tragada. Para ilustrar melhor o que estou dizendo, basta pensar na popularização de outras drogas como a maconha ou a cocaina, cujo consumo é legalmente proibido, não dispoem de campanhas publicitárias, e não contam com pontos de vendas tão numerosos ou de acesso privilegiado. Mesmo assim, este “negócio” fatura bilhões de dólares no mundo inteiro.
Conclusão – com ou sem publicidade, o bicho homem quer, e vai continuar querendo o mesmo que há milhares de anos: sentir prazer! Falando nisso, ‘já acendeu seu cigarro hoje?’
Grande abraço!
É, Juliano, trata-se de um ponto de vista interessante. Acaba de me ocorrer uma frase dita em “obrigado por fumar” onde o personagem diz:
“Os cigarros são legais, são maneiros e ainda viciam! Precisa de mais?”
hehehehe.
Realmente, com ou sem propaganda ele venderá. A questão é a maximização da produção.
Boa sacaca.
Abraços!
ouvi falar que o cigarro carlton vai ser parado de fabricar pela souza cruz s/a….vcs sabem dizer porque?