Por F.Gimenes

O jornalismo e a publicidade há muito são duas áreas importantes no cotidiano das pessoas (mesmo que algumas nem pensem a respeito). O jornalismo sempre obteve maior atenção por razões óbvias: é direto e informativo. Já a publicidade, outrora explícita, agora também explora as entrelinhas do dia-a-dia.
Esses dois ramos da comunicação vêm, dia após dia, se fundindo, negando a velha dicotomia proposta. Evidências dessa mudança estão por toda parte num mundo onde a notícia agora é propaganda e a propaganda está sempre virando notícia.
Essas duas faces, em última instância, têm um mesmo perfil: falamos de comunicação. Diante desse contexto surge, então, a figura de um novo comunicador com uma difícil tarefa pela frente: unir o que há de melhor na comunicação. Já não basta saber escrever, é preciso opinar, não basta apenas informar, é preciso anunciar a informação. Faro fino e sagacidade.
Corda Bamba
Além de toda a questão pertinente a forma como a notícia – ou a propaganda – é divulgada, existe ainda outro fator agravante: a relação de proximidade estabelecida quando determinadas empresas tornam-se fortes anunciantes de jornais ou revistas, por exemplo. Essa relação pode nos levar até um dilema ético inerente aos veículos de informação de hoje.
Quando pensamos nos grandes veículos dificilmente a veracidade dos fatos é posta em xeque, mas sim uma possível omissão em razão de vínculos comerciais. Tanto questionamento tem algum fundamento? Os mais realistas haverão de concordar comigo quando afirmo que nesses casos o jornalismo tornou-se a arte de escrever no verso de um anúncio publicitário. É preciso indagar se tudo o que foi noticiado era realmente “tudo” o que havia para ser noticiado. A partir desse ponto a tônica do jornalismo deixa de ser a notícia, mas sim o interesse comercial.
Isso nivela toda a classe jornalística? Não. Situações como essa, são exceções à regra, o que por definição – as tornam raras. Todavia é um problema moral que pode afetar o cidadão comum, o público alvo. A figura do jornalista, ou mesmo de um jornal, resume uma função social muito abrangente, o jornalismo é encarado como verdade, como informação criteriosa que chegou até seu destino final: o cidadão.
O perfil do novo comunicador surge num momento conturbado, onde é preciso saber lidar não somente com todos os recursos que o mundo atual oferece, mas também com as limitações impostas por estes recursos. A nova geração de publicitários/jornalistas terá de saber se portar frente a toda essa “histeria”, terá que aprender o momento certo de unir os dois campos e a hora exata de separá-los, tudo isso com ética e moral. Será que é pedir demais?