Algo sobre a formação do Preço

Talvez seja um mal nascido em conseqüência da popularização da Publicidade. Talvez seja um mal anterior ao boom publicitário dos últimos anos. Em verdade, não sei. O que sei é que é um problema que muito me preocupa: A formação do preço.

É comum ouvir histórias de “pastinhas” que fizeram o site de fulano de tal por R$500, às vezes, até menos. Ou daquele cara que é Bancário, Frentista, Músico e ainda consegue ser “Diretor de Arte”. Nada contra as classes citadas, as respeito muito. O que não respeito é essa falta de senso crítico que predomina hoje em dia.

Para muitos empresários o papel da publicidade ainda não se revelou inteiramente. O velho ditado “A propaganda é a alma do negócio” até hoje não fez sentido. Nota-se, claramente, a intensa procura pela redução de custos. A verba destinada à publicidade fica cada vez menor, e é exatamente aí, que os “pastinhas” entram. Sempre com sorrisos largos, preços irrisórios e apelidos íntimos; acabam ganhando o cliente.

Talvez seja uma coisa regionalista, e nos grandes centros publicitários (leia-se Rio e SP), isso não ocorra com tanta freqüência. Entretanto, aqui em Vitória, trata-se de uma prática bem comum. As grandes empresas já sacaram a importância da publicidade (talvez por isso sejam grandes) e já delegaram essa função às agências. Porém, as empresas de pequeno e médio porte ainda não descobriram o “caminho das pedras”.

Conseqüências

As conseqüências são bem claras: Sempre os mesmos anúncios (em qualquer mídia), um mercado baseado na filosofia do “quem cobra menos”, desvalorização do Conceito, desvalorização da classe; entre tantas outros males.

Esse câncer que ataca o mercado de hoje é ruim para todos. O público dos últimos anos evoluiu, já tem malícia. As pessoas, hoje, não querem apenas ver o produto, elas querem surpresa, criatividade, inovação. Essa repetição infidável não leva ninguém à nada. O produto não vende, as agências ficam impedidas de crescer e o mercado se estagna. Espero que, com tanta mão-de-obra, haja aí uma seleção natural. Uma imensa peneira que logo separe o joio do trigo, já não agüento mais.

F.Gimenes

8 Respostas para “Algo sobre a formação do Preço”


  1. 1 Emily Abril 15, 2008 às 3:25 pm

    Boa, Fabrício.
    Quantas vezes a gente não ouviu alguém dizer “tudo isso, por uma logozinha????meu sobrinho faz por 50 contos”
    grrrrr..
    É como se tentássemos fazer o trabalho de um arquiteto = vai dar m*rda no resultado final.

    =D

  2. 2 fabriciogimenes Abril 15, 2008 às 4:08 pm

    concordo contigo, emily. O “sobrinho” é outro vião implacável!

  3. 3 Fernando Cordeiro Abril 16, 2008 às 3:12 am

    Em conferencias e eventos, jah tive a oportunidade de falar com o pessoal d SP e Rj…e este assunto vem a tona.
    Aki em Bauru [interior d SP] acontece a mesma coisa…porem os caras da capital, nao entendem quando eu conto.

    Nem eu q moro aki consigo entender. Jah me sinto cansado de “educar” clientes. São todos uns burros chucros, que nao sabem q o maior bem da empresa deles eh a marca…

    Dai a cidade vive cheia de CMYK e “splash” de anuncio de preço em vermelho e amarelo. E eh assim no folder, na tv, na internet…

    Ai pra mudar, tem q ficar dando aula pro cliente…

    O grande problema é que “os negocios” sao abertos por gente q nao entende de mercado, nao sao administradores ou profissionais de marketing.

    O cara gosta d mecanica, abre uma borracharia. Varios advogados, abrem uma advocacia…Varios babacas, abrem o plenario…

    Mas nao tem alguem q seja estudado e conheça como “cuidar” de um negocio. Estrategista!

    Fora, o fato de acharem q sabem algo do seu trabalho…

    Vc vai num medico, ele estuda seu caso, te passa o modo q vc ficara melhor e vc aceita…vc nao palpita no diagnostico…

    Se vc tem um problema juridico, vc vai no advogado, ele estudou pra isso, vai t ajudar na soluçao e vc nao vai contestar ele…

    Se seu carro quebra, vc leva no mecanico, ele diz o problema, fala a soluçao e vc aceita…

    E isso funciona mto bem!

    MAS PQ NO MKT E NA PROPAGANDA O CLIENTE VEM PALPITAR?!

    Pq ele nao passa o problema, a gente é estudado pra isso, da a soluçao e ele aceita pra ser um sucesso?

    Isso me deixa maluco!

    Que comentario enorme, desculpa, me empolguei, pq este post mecheu no calo q tanto me dói!

    hiauhauauahuahuhauahuhauhuaaa

    Grande abraço!

  4. 4 Juliano Custódio Abril 16, 2008 às 3:16 am

    É, galera.. como isso não tem controle algum, cabe a nós escolher entre nos render ao mundo dos ’sobrinhos’ e ‘pastinhas’ e abaixar o orçamento junto com eles, ou nos profissionalizar cada vez mais para que nosso trabalho seja valorizado e reconhecido podendo, com isso, impor o valor de mercado.
    Agora, triste mesmo é ver gente competente cobrando pouco ou quase nada pelo serviço. Esses sim são os verdadeiros vilões… =/

  5. 5 fabriciogimenes Abril 16, 2008 às 3:24 am

    Fantástico, Fernando, os exemplos que citou. A analogia entre as profissões procede perfeitamente. Além de designers, programadores, somos psicólogos, educadores e afins. O tal empreendedorismo poderia ser acompanhado de uma boa dose de formação, não cairia nada mal.

    Juliano, interessante o ponto de vista que colocou. Conheço um caso de uma agência – com mais de 1000 sites no catálogo – aqui de vitória, que faz exatamente o que você falou: cobra barato demais pelo serviço. Um belo exemplo do Vilão-mor do mercado.

    Abraço

  6. 6 Henrique Abril 16, 2008 às 11:05 pm

    pois é…é tipo o cara que precisa fazer uma campanha pra sua empresa mas não quer “gastar dinheiro” contratando nenhum profissional. ai fica aquela de: fotógrafo? meu primo tem uma sony 10mp, dá pra fazer uma super-foto da sua empresa! modelo? meu filho é uma gracinha, dá pra colocar na campanha! maquiagem? minha tia sabe fazer! e por aí vai…

    terível!

    abraço ae!

  7. 7 Juliano Custódio Abril 22, 2008 às 11:49 pm

    Ah, esqueci de citar a imagem genialmente escolhida pra ilustrar o post! Hehhe.. Sensacional, parabéns!! \o/

  8. 8 Clito Fornaciari Neto Agosto 9, 2008 às 9:55 pm

    Quero deixar registrada minha humilde opinião a este respeito.
    Genialidade não se pirateia, não dá para fazer um CRACK para se ter acessar ao conhecimento e a competência dos profissionais da área.

    O fato é que o “empresário brasileiro” está acostumado ao CtrlC + CtrlV “baratinho”, afinal não foi ele que passou noites sem dormir em cima de um projeto de criação ou desenvolvimento de um aplicativo qualquer.

    O custo é alto sim. Quem trabalha dentro da “lei” sabe o quanto custa um software de desenvolvimento!
    Ainda acredito que o vilão da história sejamos nós mesmos. Porquê?

    Não se trabalha por um prato de comida.
    Se está barato é porque tem boi na linha.

    É só esclarecer ao dito “cliente” que as diferenças de preço está na “pirataria” e que esta impressão de que estamos “metendo a faca”. Na verdade é o custo alto de se manter um negócio sempre em dia com todas as novas versões de softwares. Sem contar com a tributação do governo, nosso sócio que nada faz. Apenas vem todo início de mês para pegar o seu pró-labore.


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