Talvez seja um mal nascido em conseqüência da popularização da Publicidade. Talvez seja um mal anterior ao boom publicitário dos últimos anos. Em verdade, não sei. O que sei é que é um problema que muito me preocupa: A formação do preço.
É comum ouvir histórias de “pastinhas” que fizeram o site de fulano de tal por R$500, às vezes, até menos. Ou daquele cara que é Bancário, Frentista, Músico e ainda consegue ser “Diretor de Arte”. Nada contra as classes citadas, as respeito muito. O que não respeito é essa falta de senso crítico que predomina hoje em dia.
Para muitos empresários o papel da publicidade ainda não se revelou inteiramente. O velho ditado “A propaganda é a alma do negócio” até hoje não fez sentido. Nota-se, claramente, a intensa procura pela redução de custos. A verba destinada à publicidade fica cada vez menor, e é exatamente aí, que os “pastinhas” entram. Sempre com sorrisos largos, preços irrisórios e apelidos íntimos; acabam ganhando o cliente.
Talvez seja uma coisa regionalista, e nos grandes centros publicitários (leia-se Rio e SP), isso não ocorra com tanta freqüência. Entretanto, aqui em Vitória, trata-se de uma prática bem comum. As grandes empresas já sacaram a importância da publicidade (talvez por isso sejam grandes) e já delegaram essa função às agências. Porém, as empresas de pequeno e médio porte ainda não descobriram o “caminho das pedras”.
Conseqüências
As conseqüências são bem claras: Sempre os mesmos anúncios (em qualquer mídia), um mercado baseado na filosofia do “quem cobra menos”, desvalorização do Conceito, desvalorização da classe; entre tantas outros males.
Esse câncer que ataca o mercado de hoje é ruim para todos. O público dos últimos anos evoluiu, já tem malícia. As pessoas, hoje, não querem apenas ver o produto, elas querem surpresa, criatividade, inovação. Essa repetição infidável não leva ninguém à nada. O produto não vende, as agências ficam impedidas de crescer e o mercado se estagna. Espero que, com tanta mão-de-obra, haja aí uma seleção natural. Uma imensa peneira que logo separe o joio do trigo, já não agüento mais.
F.Gimenes